quarta-feira, 28 de Agosto de 2013

MORDOMIA CRISTÃ: CONCEITO

 DEFINIÇÃO DE MORDOMIA

Para se iniciar o estudo do tema MORDOMIA CRISTÃ é necessário compreender o significado do próprio termo, para seguidamente alicerçar a doutrina e compreender as implicações na vida de cada crente.


MORDOMO - Significado
O significado da palavra mordomo tem variado consoante o tempo.
O dicionário de Português da Porto Editora dá o seguinte significado de mordomo.
1.         Administrador de casa ou estabelecimento por conta de outrem
2.         Encarregado ou contribuinte de uma festa de igreja
3.         Aquele que administra bens de confrarias ou irmandades
4.         Antigo magistrado encarregado de cobrar impostos, entregar citações e fazer execuções
                            
No entanto popularmente o termo mordomo é muito associado à palavra mordomias, que significa bem-estar, conforto material, regalias, privilégios, conceitos nada condignos com o propósito da figura do mordomo, que é o ofício da mordomia.

A palavra mordomo, em português, deriva do latim maiore- domu. No latim, maiore é maior ou principal, e domu, casa, a casa com tudo que ela contém e significa. Assim mordomo é o principal servo, o que administra a casa do seu senhor.
A palavra mordomo tem o mesmo significado do grego oikonomoV - oikonomos (oikoV - oikos, casa, e nomoV - nomos, governo).



CONCEITO DE MORDOMIA CRISTÃ
A mordomia cristã é a administração de alguns dos direitos e das possessões de Deus de acordo com a Sua vontade.

 
PRINCÍPIOS DA MORDOMIA CRISTÃ
Criacionismo
O princípio fundamental do cristão é a da consciência do Deus criador de todas as coisas, e que tudo o que existe no planeta foi obra das suas mãos.

Propriedade
Deus não apenas criou, como mantém os direitos sob a Sua obra. Não cedeu nenhum tipo de direito a ninguém.

Soberania
Deus mantém a soberania sobre tudo. A Sua autoridade é inquestionável.

Respeitabilidade
Apesar de manter a propriedade e a soberania sobre todas as coisas, Deus trata os humanos com respeito e consideração. É a diferença entre servidão e mordomia.
Inclui-se nesta área a confiabilidade e a lealdade, que precisam de ser recíprocas.
Respeitabilidade é sinónimo de justiça que produz segurança. 

O ser humano é “apenas” um usufrutuário, ou seja, tem o direito de gozar temporária e plenamente as coisas e os direitos de Deus.
Ao reconhecermos a criação, a propriedade e a soberania de Deus, como cristãos, tornamo-nos usufrutuários responsáveis não apenas pela preservação da globalidade do planeta como possessão de Deus, mas também como depositários da vida.
Para isso Deus capacita com talentos e cabe a cada um o manejo responsável ao serviço do Reino.

Administrador é aquele que dirige os negócios de outrem, mas seguindo as instruções do proprietário. É responsável em manter e preservar a propriedade e os direitos de tudo o que lhe é atribuído. O mordomo/administrador deve ser confundido com o proprietário, assim, o MORDOMO CRISTÃO tem a responsabilidade de administrar a propriedade divina, seja física, moral, intelectual e espiritual, devendo ser um com o proprietário, embora seja incluído na propriedade.

AS CARACTERÍSTICAS DE UM MORDOMO

  • Conhecimento real de Deus
  • Leal – Honesto – Fiel - Sincero
  • Sujeito a Deus
  • Liberto da inveja e da cobiça

Sendo administradores, somos também a imagem visível do soberano tornando-nos responsáveis pela transmissão e manutenção da “boa imagem” de quem representamos. Equivale a dizer que somos responsáveis não apenas pela boa imagem do visível e espiritual, mas também pela imagem dos procedimentos de Cristo.
A MORDOMIA CRISTÃ está ligada ao serviço prestado em lugar do Senhor.

A MORDOMIA CRISTÃ não pode ser encarada parcelarmente, tem que ser vivida na globalidade. Não se é um bom mordomo numa área e descuidado na outra. Mordomo de Deus é na totalidade.
Não se é mordomo na igreja e proprietário na vida privada.
Não se deve agir de uma maneira na vida espiritual e de outra maneira na vida mundana e material.

RELAÇÃO ENTRE MORDOMIA E FÉ
A fé vem pelo ouvir a palavra de Deus” (Rm10:17), e “a salvação vem pela fé e não pelo esforço das pessoas para que ninguém se glorie” (Ef 2:8-9)
A MORDOMIA CRISTÃ é a acção prática da fé, pois a “fé sem obras é vazia” (Tg 2:26), assim sendo a fé coopera com a prática, “para se aperfeiçoar através das obras”(Tg 2:22).


Se acção prática da fé é a MORDOMIA CRISTÃ, então a MORDOMIA CRISTÃ é a demonstração prática da salvação.
  

RELAÇÃO ENTRE MORDOMIA CRISTÃ E MUNDANISMO

A MORDOMIA CRISTÃ tem de ser analisada na perspectiva para onde aponta a fé. Esta questão não faz sentido a quem não acredita ou que a sua fé ainda não tem raízes suficientes para se libertar do egocentrismo pessoal.
A MORDOMIA CRISTÃ também só faz sentido para quem acredita num Deus criador e mantenedor de todo o universo.

Os princípios básicos da MORDOMIA CRISTÃ e o conceito que analisámos entra em choque com a natureza humana e a sua loucura independentista.

O ser humano sem Cristo prefere:
  • Declarar-se independente para não depender de ninguém;
  • Confiar nele próprio e rebaixar-se ao recusar a natureza divina (somos criados à semelhança de Deus);
  • Acreditar que a ciência é uma invenção sua, em vez da descoberta do que Deus fez;
  • Submeter-se aos falsos deuses, que ele próprio inventa para satisfazer a sua maldade;
  • Acreditar nas potestades da maldade, julgando que as consegue controlar;
  • Acreditar que evolui para ser como um deus.

Ao declarar-se administrador e usufutruário da criação divina, o crente entra em conflito com as teorias evolucionistas e com filosofias hedonistas que dominam a sociedade.
Será considerado pouco inteligente ou pouco informado ou atrasado ou louco ou outros nomes tais, onde será completamente desconsiderado..

  
Ambiente
Sendo desconsiderado pelo mundo, o crente vive:
  • Num clima de desconfiança;
  • Fragilidade – muitos cristãos têm dificuldade em viver de acordo com a nova natureza;
  • Falta de demonstrações claras de que são realmente mordomos do Senhor do universo.

Missão
Mesmo com todas as limitações somos os únicos incumbidos de proclamar o evangelho e a superioridade de Cristo (1Pe 1:12)


REINO DE DEUS
O Reino, não é mais do que submeter-mo-nos à autoridade divina. É o domínio de Deus na vida de cada crente. Pertencer ao Reino é viver a finitude com dimensão eterna em Jesus Cristo. É a libertação da dimensão material interior e exterior nas quais fomos embutidos e entrarmos conscientemente e de livre vontade na dimensão da eternidade, para a qual fomos criados.

Reino de Deus é a autoridade de Deus na vida de cada crente. Embora tudo o que exista esteja submetido ao poder do criador, só pertencem ao Reino aqueles que de livre vontade o quiserem integrar com a aceitação de Nosso Senhor Jesus Cristo como Senhor e Salvador.  

O MORDOMO CRISTÃO submete-se à autoridade de Deus em liberdade e desfruta-a com prazer.


AUTORIDADE
Deus dá autoridade aos mordomos, para poderem exercer o ofício da mordomia

A autoridade vem através da fé, com a capacitação através de ferramentas atribuídas a cada mordomo em particular e também ferramentas comunitárias

Deus capacita cada um individualmente com TALENTOS – DONS DE SERVIÇO – DONS ESPIRITUAIS para o serviço

Ser MORDOMO não é apenas ser-se administrador e usufrutuário das possessões e direitos de Deus
  • é também considerar-se parte da propriedade física e espiritual de Deus;
  • é colocar todas as disponibilidades ao serviço  quer seja o próprio, os seus bens ou os seus talentos e dons;
  • é aceitar a soberania de Deus com alegria;
  • é utilizar a autoridade de Deus com humildade e respeito;
  • é saber que é uma ferramenta útil;
  • é saber lidar com outros mordomos, que têm outras responsabilidades, mas que têm de se encaixar na perfeição uns com os outros;
  • é saber servir os outros, como se fosse para Deus;
  • é dar mais do que lhe é pedido;
  • é deitar a mão ao que for necessário, para o bom desempenho da comunidade e dos seus objectivos comuns.

O mordomo/administrador deve desejar e buscar a sabedoria que vem do alto para poder ser eficaz no ofício da mordomia.


Cada crente deve ter a noção de que é um MORDOMO, e que lhe vão ser imputadas responsabilidades assim como vai ser avaliado no devido tempo.



PERIGOS
O crente, não está sujeito apenas aos seus caprichos e fraquezas, como ainda tem que lidar com as potestades da maldade, que têm uma larga experiência em enganar os humanos e cujo único objectivo e afastá-los do Pai e do Seu amor, levando-os assim a perderem o ofício da MORDOMIA CRISTÃ.
As técnicas utilizadas são muitas, mas podem-se resumir a alguns princípios que vão variando consoante a estratégia.

  • Eliminar defesas;
  • Tentar descredibilizar (mostrar que o interlocutor de certa maneira é ignorante);
  • Mostrar que a vontade e soberania de Deus, são rígidas, não passam de caprichos e que são inconcebíveis;
  • Afastar de Deus ou tentar provar que Deus não existe;
  • Levar as pessoas a tomar uma decisão que as afaste definitivamente de Deus.


Se os princípios da mordomia não estiverem presentes no coração, o crente pode perder o sentido de orientação e voltar-se para si próprio entrando numa espiral de perdição, julgando que pode ser como Deus, perdendo assim a noção da diferença entre o espiritual e o material, podendo ficar convencido que pode dominar e controlar em ambas as áreas, mesmo sabendo pela experiência prática que é um ser finito e limitado.

O mordomo vai ser constantemente desafiado para se desviar do ofício da mordomia e colocar no seu lugar a auto-gestão.
Vai ser desafiado também para a nulidade do ofício da mordomia em proveito dos outros e de Deus, para se centrar nele próprio.
O crente/mordomo deve criar defesas e métodos para se manter actualizado e preparado para as batalhas constantes que vai ter de travar para se manter dinâmico, capaz, crente e fiel.


ANÁLISE DA QUEDA
 (Gn 2:15-17 e Gn 3:1-6)

Gn 2:15 Instauração do ofício da mordomia

Eva e a serpente, falam como se se conhecessem bem. Para se falar sobre coisas sérias tem de haver algum conhecimento ou relacionamento. Tem de haver alguma abertura, para poder haver absorção de informação.
De inicio Satanás nunca aparece com argumentos violentos, normalmente parecem sempre muito lógicos, é o eliminar das defesas.

1)      Eliminar defesas
Perguntou a serpente a Eva: “É assim que Deus disse: Não comereis de toda a árvore do jardim?”(Gn 3:1)
Não foi o que Deus, tinha ordenado em Gn 2:17. A pergunta é uma descarada alteração das ordens de Deus, mas é o suficiente para começar a criar a dúvida e o sentimento de ignorância.
E respondeu Eva: “ Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis para que não morrais.” (Gn3:3)
Acrescentou, o não tocar. Mostrou algum desconforto de ter de se sujeitar a Deus.
O desconforto com a vontade soberana de Deus, abre a porta aos desejos (concupiscências).

2)      Tentar descredibilizar (mostrar que o interlocutor de certa maneira é ignorante)
Ao ser atraída para os desejos e sentir-se desconfortável com a vida, Eva permitiu ser corrigida e instruída por aquele que levantou a dúvida.
“Então a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis.” (Gn3:4), é o inicio de um novo ensinamento.
Pequena alteração na ordem de Deus em (Gn 2:17) “Certamente morrerás”.
É a técnica do não faz mal, do Deus não é carrasco, certamente não é assim tão grave, Deus não castiga assim as pessoas, etc, etc, etc.
É a técnica das falsas doutrinas, alteram o que está escrito, mudam o contexto, para ver se apanham os imprudentes, os descontentes e os ignorantes.

3)      Mostrar que a vontade e soberania de Deus, são rígidas, não passam de caprichos e que são inconcebíveis
“Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal.”(Gn 3:5)
Frase de uma razão pervertida pelo desejo e visão de auto-exaltação
Mexe no íntimo do orgulho e tenta desmontar o conceito que as pessoas têm de Deus
Tenta mostrar um deus invejoso e inseguro das suas capacidades. O objectivo é aprofundar a dúvida já instalada e mostrar que o deus em que se acredita, não é assim tão deus como isso.
4)      Afastar de Deus
“ E viu a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento” (Gn3:6)
Ao levar a interiorizar a dúvida, o inimigo atinge o objectivo, que é levar as pessoas a deixarem-se engodar pelos prazeres que julgam ser a própria vida. Levam as pessoas a afastarem-se de Deus e viveram para as suas atracções naturais (1Jo 2:16 – Concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e soberba da vida)

5)      Levar as pessoas a tomar uma decisão que as afaste definitivamente de Deus
“Tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela”(Gn 3:6)

Depois de levar as pessoas a viver exacerbadas nos seus desejos, corrompendo o objectivo para que foram criadas, o peso do pecado, não deixa os humanos a quererem ficar sós, sentem a necessidade de arrastarem consigo quem os rodeia, podendo contaminar e desviar
toda uma comunidade.


Ser mordomo da coisas de Deus, é viver de acordo com o princípio da criação, é viver na certeza de que o Deus criador quer o melhor para si.
 







MORDOMIA DA PALAVRA

Civilizações do livro
Desde sempre os humanos sentiram necessidade de passar para escrito as suas experiências existenciais. Com uma natureza com tendência para a idolatria, os primeiros registos foram para os seus próprios feitos ou para experiências religiosas.
Com o desenvolvimento da escrita e dos processos de registo, as diversas civilizações criaram códigos religiosos e descritivos das suas experiências metafísicas.
Ainda hoje os habitantes deste planeta têm por base da sua existência os escritos religiosos com que alimentam a sua alma e dão existência ao seu espírito.
Cada religião tem os seus livros sagrados, até a religião dos ateístas ou a religião dos agnósticos têm as suas crenças baseadas em escritos dos seus teólogos. Como tal ao estudar-se algum livro sagrado é preciso ter-se respeito pelos livros das outras religiões pois servem de consolo a milhões de pessoas, que acreditam piamente na sua fé e tradições. É preciso ter cuidado pois o crente de cada religião acha que o seu livro é único e verdadeiro.


Como cristãos, somos Mordomos da Palavra e tornamo-nos responsáveis em preservar a Bíblia como “O Livro”. Como administradores devemos manter intacta a propriedade divina ao sermos praticantes dos seus princípios mostrando assim a unidade com o conteúdo e o respeito com o mentor, demonstrando lealdade e conhecimento real com o “Logos.



Formação do cânone

O mordomo deve conhecer a história daquilo que administra. No caso da Bíblia, deve conhecer como foi formada, os critérios de escolha dos livros e outros assuntos de interesse.

Velho Testamento
Profetas, reis, sacerdotes, escribas, homens do povo e poetas escreveram a maneira como se relacionavam com Deus e a importância que isso tinha na sua vida e na vida de todo um povo, na sua organização, no seu relacionamento e até nas suas origens.
Os escritos foram sendo organizados em grupos e o mais conhecido e usado entre os hebreus da altura era designado como “A LEI” e correspondia aos cinco primeiros livros da nossa Bíblia. Mais tarde juntaram-se outros conjuntos de cartas que designavam como “OS PROFETAS”.
No entanto o cânone do Antigo Testamento só foi fechado com o aparecimento do cristianismo, pois os judeus tiveram medo que os textos dos cristãos pudessem vir a ser integrados e aceites como canónicos.
A forma como hoje conhecemos o que chamamos de Velho Testamento só ficou completa no concílio judaico de Jamnia, por volta do ano de 95 DC. Além de “A Lei”, consideraram que só poderiam ser válidos os livros que tivessem as seguintes condições:
- Deveriam ter sido escritos na Judeia;
- Escritos somente em hebraico, nem em aramaico, nem em grego;
- Escritos antes de Esdras (455-428 a.C.);
- Sem contradição com a Torá ou lei de Moisés.

Esta decisão entre os judeus ainda hoje é polémica, nem todos a aceitam, com os mais variados argumentos, entre eles alguns consideram que alguns livros estão mal datados, outros queriam integrar
Na altura dividiram-nos em três conjuntos:
“A LEI”, com os primeiros cinco livros da nossa Bíblia.
“OS PROFETAS”, incluíam Isaías, Jeremias, Ezequiel, os Doze Profetas Menores, Josué, Juízes, 1 e 2 Samuel e 1 e 2 Reis.
“AS ESCRITURAS” reuniam os Salmos, Provérbios, Jó, Ester, Cantares de Salomão, Rute, Lamentações, Eclesiastes, Daniel, Esdras, Neemias e 1 e 2 Crónicas.


Novo Testamento
No inicio do cristianismo o evangelho era pregado com base no ensino e escritos dos apóstolos. Com o crescimento e multiplicação das comunidades cristãs começaram também a multiplicar-se os escritos. A maior parte deles eram de origem duvidosa e outros utilizando autorias falsas. Surgiram também várias doutrinas e todas elas se intitulavam de verdadeiras. Foi necessário reunir os escritos que circulavam e escolher os que fossem realmente verdadeiros e idóneos. Foi um processo que demorou anos e foram utilizados vários critérios.
Os cristãos tiveram receio que devido à quantidade de textos que circulavam, alguns menos próprios pudessem ser transformados em ensinamentos. Então resolveram também criar um cânone cristão.
Reuniam-se em concílios e os critérios de selecção foram os seguintes:
I.       Apostolicidade - Este foi o principal critério de aceitação dos livros como inspirados, pois dependia de ter sido escrito pelos apóstolos ou por alguém que conviveu com eles.
II.    Aceitação e utilização por parte das Comunidades Cristãs. O uso que a igreja fazia dos livros na sua liturgia era evidência da canonicidade de um livro. O motivo era simples, os livros que não eram canónicos a igreja não os aceitava como litúrgicos.
III. Coerência Doutrinária - Qualquer livro que ensinasse doutrinas contrárias às dos apóstolos era rejeitado.
IV. Inspiração - O livro deveria mostrar que havia sido divinamente inspirado. Este era o teste final, que servia como demarcador da área de acção e o rumo a ser tomado.  

O reconhecimento oficial do cânone foi no ano de 397, no Concílio de Cartago, e reconheceu os 27 livros contidos no Novo Testamento.
Relativamente ao Velho Testamento, os cristãos aceitaram como canónicos os 39 livros aprovados no concílio dos judeus de Jamnia.
A Igreja Católica, no concílio de Trento, com inicio em 1545, o denominado concílio da contra reforma, acrescentou os chamados livros apócrifos ou deuterocanónicos.




CURIOSIDADES

A palavra cânone vem do grego “kanóni” ou “kanon” em hebraico é “qenéh”. Significa um “régua” ou “vara” para servir de medida e a partir daí para servir de regra ou padrão.
Aplica-se à Bíblia pois significa que os livros foram medidos, declarados satisfatórios e aprovados como tendo sido inspirados por Deus.

A palavra Bíblia entrou para as línguas modernas por intermédio do francês, passando primeiro pelo latim biblia, com origem no grego biblos. Originariamente era o nome que se dava à casca de um papiro do século XI AC, utilizado na escrita, e mais tarde entrou no vocabulário como designação de textos (livros) ou conjunto de textos (biblioteca). Por volta do século II DC, os cristãos começaram a usar a palavra Biblos para designar os seus escritos sagrados.

O método de divulgação era a cópia manual. Os manuscritos eram copiados à mão em papiro e pele, por isso eram caros e frágeis.
Como as cópias eram feitas à mão por vezes aconteciam inexactidões. Mesmo assim, ainda hoje é um milagre não só a preservação do texto em si, como a sua existência, pois foram vítimas de destruição e perseguição.

Os últimos livros a serem incluídos no cânone foram Hebreus, Tiago, 2Pedro, 2 e 3João, Judas e Apocalipse. Todos por motivos diferentes, mas uma vez aceites, nunca mais se levantaram dúvidas.



Princípios da Mordomia Cristã da Palavra
·         Inspiração - A Bíblia é inspirada por Deus. A inspiração não é um ditado em que os escritores se limitam a escrever o que lhes for dito.
·         Infalibilidade e Inerrância - Bíblia é exacta e não se contradiz. Os 66 livros da Bíblia concordam entre si, completam-se perfeitamente como uma unidade. A Bíblia é verdadeira, fidedigna e imutável.
·         Autoridade - A Bíblia é a autoridade em matéria de fé e conduta.
·         Interpretativa – A Bíblia auto interpreta-se.



A Bíblia é:
·         A Palavra de Deus -Toda a Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiçaNo sentido de que sendo inspirada traduz o coração de Deus
·         A revelação de Deus aos humanos
·         Eterna e Justa
·         Eterna e Estável
·         Doce (agradável, temperada, suave, afectuosa)
·         Farol (servir de guia e indicar a nossa posição)
·         Herança (como aquilo que se recebe por herança)
·         Conselheira (habilitada a prestar orientação e aconselhamento)
·         Privilégio (direito e regalia para quem a aceita)
·         Recompensa (prémio ou galardão)
·         Alimento



Cuidados a ter:
·         A Bíblia não é um livro de regras, mas de princípios. Os princípios servem para unir, as regras para diferenciar.
·         A Bíblia não é um mapa arqueológico, embora fale de lugares.
·         A Bíblia não é um manual de História, embora contenha factos históricos.
·         A Bíblia não é livro científico, embora contenha algumas curiosidades.
·         A Bíblia não transforma o cristão num justiceiro da Palavra para a fazer cumprir, esse é o trabalho de Deus.

Benefícios da Palavra
·         Segurança (confiança, certeza, afirmação)
·         Esperança (fé, esperar a vida eterna em Jesus Cristo)
·         Conforto (consolo nas aflições, comodidade)
·         Sabedoria (bom senso, prudência, rigor)
·         Alegria (estado momentâneo de contentamento)
·         Felicidade (estado permanente de satisfação)
·         Paz (serenidade, harmonia, conciliação, paciência)

Características de um Mordomo da Palavra
·         Leitor assíduo e dedicado
·         Medita todos os dias na Palavra
·         Não se envergonha e não se confunde
·         Obediente
·         Tem prazer no cumprimento
·         Desejo ardente de ser um cumpridor
·         Tem confiança na Palavra
·         Ama mais a Palavra que as riquezas
·         Guarda a Palavra no íntimo, para não ser roubada (Parábola do semeador)
·         Gosta de compartilhar a Palavra
·         Intercede junto ao Pai, para que todos tenham acesso à Palavra
·         Praticante dos seus princípios

É através da Bíblia que Deus quis que ficassem registados todos os eventos principais que digam respeito à natureza humana.
Não sendo um livro de História, tem o registo de muitos factos ligados à história do Homem. Por vezes a Bíblia regista factos violentos, para exprimir a tendência da humanidade para a maldade e violência, por isso é que a Bíblia aponta para Jesus, desde Génesis a Apocalipse, como a única forma de libertação e salvação.

Através da Bíblia Deus dá-se a conhecer de uma forma perfeitamente ao alcance de qualquer pessoa.

Como uma das formas que Deus se revela aos humanos é através da Sua Palavra, os cristãos como mordomos das coisas de Deus, devem fazer tudo para a distribuir e acima de tudo serem o reflexo do que lá está escrito.


Os mordomos são responsáveis em manter e preservar a propriedade e os direitos de tudo o que lhes é atribuído, e como Mordomos da Palavra, sabendo que os céus e a terra passarão mas que a Sua Palavra permanecerá, devem ser zelosos e fieis à sua essência e mater intacto o seu sentido.
 
A PALAVRA é uma bênção de Deus para a criação e é a ferramenta mais importante que o ser humano pode ter. As experiências pessoais e sensoriais de comunhão com o Deus vivo, podem ser importantes numa dada altura, mas vão-se apagando com o tempo e perdendo importância.
A PALAVRA é escrita, logo garantia de que não pode ser alterada. Sendo um registo fidedigno torna-se segurança para quem a possui e é um grande alicerce para a vida cristã. É o filtro da emoções e escândalo para as heresias.
Sabemos que Deus se manifesta das mais diversas formas, mas tem um grande zelo para que se cumpra a Sua PALAVRA.

Em momentos de ataques à sua postura, Jesus respondeu citando as escrituras.
Com tudo isto os cristãos são Mordomos da Palavra, e não são apenas administradores mas também zeladores de algo muito importante para Deus, e se é importante para Deus, para os Mordomos é fundamental, não apenas para a guardar mas para a viver.

Os cristãos são Mordomos da Palavra e devem ser por amor, fé e vocação e não por obrigação nem por tradição.


MORDOMIA DO COMPROMISSO

Compromisso é um acto de se ficar obrigado a algo por promessa ou acordo.

Para se assumir um compromisso é necessário haver um acordo ou uma promessa.
O acordo ou promessa é baseado na esperança de se dar algo e de receber algo em troca. Não vale a pena entrar em discussões teóricas sobre altruísmo ou sobre o “amor ágape”. No actual estágio da humanidade, turvado pela separação de Deus, os humanos não conseguem dar provas do mais puro dos relacionamentos, o dar sem pensar receber nada em troca. Mesmo quando aparentemente acontece é para aliviar a consciência ou então por alguma obrigação moral assumida como parte da sociedade.

O COMPROMISSO DE DEUS
Deus assumiu o compromisso de relacionamento directo, íntimo e pessoal com a criação. No Éden, as necessidades dos humanos eram da preocupação de Deus. Viviam vidas despreocupadas, sem a noção do que é a vida de trabalho para “sobreviver”. Tudo aquilo que nós chamamos erradamente de mãe natureza era da responsabilidade de Deus, que cumpriu a sua parte do acordo.
O que aconteceu foi que os primeiros habitantes resolveram deliberadamente desobedecer a Deus, desafiando a autoridade divina.
O compromisso do Éden, não era inconsequente, pois havia obrigações de ambas as partes.
Levados por um desejo independentista, os moradores do Éden, optam por se desligar do compromisso, ficando sem o relacionamento directo, íntimo e pessoal com Deus e passando a viver por sua conta e risco.    
A partir dessa altura, os humanos ficaram submetidos às regras do mundo físico e das leis que Deus fez para regerem o universo.
Do ponto de vista espiritual o ser humano ficou entregue à autoridade daquele que o levou a tomar a decisão de se separar de Deus.  


O alicerce da tomada de decisão no Éden foi uma mentira, a partir daí, a natureza humana foi sendo construída cada vez mais nos derivados da mentira.
Como uma raiz poderosa, a mentira, tomou conta da natureza humana e rapidamente deu frutos, com todas as consequências que ainda hoje fazem parte da humanidade e se reflectem em toda a criação.


Compromisso é sinónimo de ligação e de identificação com o que se concorda, assim o que aconteceu no Éden, foi o assumir de uma ligação com Satanás. Ao identificarem-se com esta nova ligação os humanos submeteram-se à sua nova autoridade espiritual.


Sabemos que tudo não passou de uma trapaça, mas mesmo assim, ainda hoje em dia, muitos humanos preferem viver na mentira, alimentando a maldade que lhes vai na alma e dando asas aos instintos e desejos, e de bom grado continuam sujeitos à autoridade satânica, mesmo em situações de aflição.
O ser humano, continua enganado, tal como no Éden. Julgando que pode ser independente de tudo, julgando que tem capacidade de resolver todos os seus problemas e até pensa que pode controlar o universo e as regras que o rege.


Muitos fingem que reconhecem a autoridade de Deus, mas caem no mesmo erro dos primeiros habitantes, ao se deixarem engodar por uma mentira. Muitos julgam que se pode fazer o que se quiser e que Deus fecha os olhos ou então que Deus é amor e que tudo perdoa, esquecendo-se essa gente que Deus não tenta ninguém nem se deixa tentar.
Deus, sendo um cumpridor da Sua Palavra e fiel aos seus compromissos, não altera nada só para fazer a vontade dos humanos, que querem que os desejos e instintos da maldade, alimentados pelas mentiras das hostes da maldade sejam considerados impunes.



Ao longo dos tempos, Deus tentou restabelecer a a ligação perdida com os humanos, mas foi constantemente rejeitado.
Deus renovou promessas, nomeou profetas, juízes, sacerdotes e outros interlocutores válidos, até separou um povo só para si para que lhe servissem de testemunho e mostrassem ao resto da humanidade o quão bom é viver sob a Sua autoridade.
Mesmo esse povo, rejeitou os juízes, desprezou os profetas, muitos dos sacerdotes tornaram-se rebeldes e optaram por servir os falsos deuses.
Todos os acordos foram sendo abandonados pelos humanos, até que Deus resolve, via Moisés, passar para escrito toda a segurança e as bênçãos que se têm quando a autoridade única é o Deus verdadeiro.
Não ficou apenas escrito as obrigações de Deus, também se escreveram as obrigações dos humanos. Cada parte sabia perfeitamente o que acontecia se falhasse o compromisso.

Um compromisso é uma garantia de segurança, não apenas entre os subscritores mas também para quem os rodeia.

Constantemente o povo falhava os seus compromissos, mas quando reconhecia o erro, e honestamente pedia perdão, o coração de Deus rejubilava de alegria e renovava o compromisso, baseado na humildade do reconhecimento da falta.
 
No Éden, assim não aconteceu, os protagonistas humanos não reconheceram a quebra do compromisso, nem se deram ao trabalho de pedir perdão, tentando antes arranjar desculpas sem fundamento, atirando as culpas para outros que não eles próprios.

A lição que se pode tirar, é que a culpa é pessoal e intransmissível e cada atitude nossa tem de ser ponderada, pois argumentos do tipo fui enganado, não é aceite, pois cada humano foi criado com inteligência e com livre arbítrio.

A forma que o povo pedia perdão a Deus, era através de ofertas voluntárias e de animais, pois  o pecado tinha de ser reparado.

Como o povo ia falhando cada vez mais os compromissos, Deus resolve vir pessoalmente anunciar a derradeira hipótese de reconciliação, abrindo assim o caminho a todos os humanos do planeta de entrarem na plenitude das regalias da autoridade divina, ou seja, Jesus Cristo veio anunciar o Reino de Deus.


Compromisso cristão é um acordo para reatar o relacionamento perdido no Éden entre Deus e os humanos.


Deus resolve selar este acordo com o que tinha de mais querido, demonstrando assim o seu enorme interesse e sinceridade nesta aliança

Um acordo é sempre marcado ou selado por algo.

Jesus Cristo, 100% Deus e 100% humano, oferece-se voluntariamente para ser o derradeiro sacrifício para a expiação dos pecados e assim consumar o perdão dos pecados que separava os humanos de Deus.
Com a crucificação e posterior ressurreição de Jesus Cristo, foi eliminada a última barreira que separava Deus dos humanos, a morte espiritual.  

Completamente de graça esta oportunidade de salvação, de não se viver eternamente separado de Deus, morto espiritualmente, a humanidade tinha um Caminho directo ao trono da glória do criador.
Cada um individualmente não precisa de fazer absolutamente nada fisicamente, basta reconhecer que está separado de Deus e que aceita a proposta de reconciliação consumada através de Jesus Cristo.


Compromisso cristão é um acto de adesão de livre escolha entre duas partes, que foi consumado por Jesus Cristo na cruz. Deus Pai é o primeiro signatário, sendo cada cristão signatário aderente. Do lado de Deus existe uma disponibilidade completa e permanente, do lado dos humanos cada um fará a sua escolha mas terá de ser livre.
 
OS CRISTÃOS SÃO MORDOMOS DE DEUS
Ao reatar o relacionamento, Deus torna-nos seus filhos e seus co-herdeiros com Cristo Jesus. Assumimos também a qualidade de Mordomos, pois Deus permite que os signatários se tornem administradores de alguns dos seus direitos e das suas possessões, mas sempre de acordo com a Sua vontade e Seus propósitos. 

O COMPROMISSO COMO FORMA DE VIDA
A fidelidade de Deus, cumprindo na integra os seus compromissos e derramando o seu amor sob a criação e tendo um carinho especial pelos humanos, faz com que o cristão, sendo Mordomo das coisas do Pai, coloque o COMPROMISSO como a sua forma de vida.

Como Mordomos de algumas das coisas de Deus, somos também a imagem visível do Soberano, ficando também os Mordomos responsáveis pela transmissão e manutenção da “boa imagem” de quem representamos. Equivale a dizer que somos responsáveis não apenas pela boa imagem do visível e espiritual, mas também pela imagem dos procedimentos e atitudes de Cristo.

procedimentos e atitudes de Cristo
*      Propósito – Vida com objectivos, intenção, projecto, decisão;
*      Compromisso;
*      Legitimidade – Autêntico, genuíno;
*      Justiça – Imparcialidade da confiança;
*      Responsabilidade – Que tem consciência dos seus actos;
*      Convicções – opinião firme;
*      Lealdade – sincero, franco;
*      Fidelidade – dedicado;
*      Honestidade.

Princípios da pessoa comprometida com o evangelho
ü  Sabe que é um pecador, salvo pelo sangue de Jesus;
ü  Sabe de que foi salvo pela graça;
ü  Sabe de que passou a ser um “estrangeiro” numa terra estranha;
ü  Sabe que tem um acordo com Deus, selado com o que Deus tem de mais querido;
ü  Sabe que tem um relacionamento com Deus e deve fazer tudo para o manter;
ü  Conhece a fragilidade da sua natureza humana;
ü  Conhece o que é o Reino de Deus;
ü  Reconhece a autoridade de Deus;
ü  Reconhece a criação como propriedade de Deus;
ü  Aceita viver, partilhar e dedicar a sua vida segundo os princípios bíblicos;
ü  Reconhece que precisa constantemente do Espírito de Deus, na caminhada da vida terrena.

Ambiente sócio-cultural 

A sociedade da actualidade vive sob a filosofia e estilo de vida com os seguintes valores:
-         Valorização do “eu” e dos seus interesses;
-         Valorização da satisfação pessoal e do prazer;
-         Massificação da cultura, e globalização da mesma;
-         Negação dos absolutos, pois a evolução altera o anterior;
-         Aceitação da diversificação, com o paradoxo que só aceitam os que pensam de igual forma;
-         A mesma pessoa pode aceitar uma coisa e o contrário ao mesmo tempo e não se vê nisso uma contradição;

Consequências sócio-culturais deste estilo de pensamento:
-         Aceita bem as contradições e os paradoxos das suas filosofias;
-         Desvalorização do altruísmo, não se preocupando com os outros;
-         Negação do auto controle;
-         Miscigenação global com perda da diversidade cultural;
-         Miscigenação religiosa, em que só existe um deus, para o qual todas as religiões apontam, pois cada religião tem é um caminho diferente;
-         A não constância dos conceitos ideias, leva à despersonalização individual;
-         Os valores são: -Não ter convicções, sejam políticos, éticos, religiosos, sociais ou outros;
-         Sem convicções também não há compromisso.

Vivendo numa constante mutação de valores, sem convicções e sem a diversidade, a sociedade entrou numa espiral de auto-destruição e está a transformar-se numa sociedade sem perspectivas de futuro e sem futuro não há segurança.


Compromisso cristão
Embora viva numa sociedade decadente, o cristão comprometido, aceita o desafio de ser MORDOMO do criador, e aceita ser a visibilidade de Jesus Cristo, querendo viver segundo os princípios do evangelho e reflectindo as mesmas atitudes e procedimentos de Cristo.
Ao assumir o Compromisso Cristão, os Mordomos sabem que a sua individualidade será respeitada, e a sua humanidade será exponenciada para aquilo que foi criado. 

CRISTÃO  COMPROMETIDO
*      Cristão comprometido não faz nascer a marca “eu”, pensa antes em viver com o meio que o rodeia e ser participante nas aflições e alegria dos outros. Ajuda os necessitados, os doentes, os idosos e os frágeis;
*      Cristão comprometido não vive da aparência, não valorizando os bens materiais e o estatuto social;
*      Cristão comprometido é fiel nos seus compromissos, mesmo que mudem as circunstancias e saia a perder;
*      Cristão comprometido sabe o quão difícil foi a vinda de Jesus à Terra e a consequente crucificação, por isso valoriza a obra de Jesus;
*      Cristão comprometido é aquele que sabe que os princípios de Deus são de difícil aplicação, mas que se entrega nas mãos do Espírito de Deus, para o ajudar nas fraquezas;
*      Cristão comprometido é aquele que descobre que a vida não é para alimentar a natureza humana, embora pareça lógico e bom;
*      Cristão comprometido vive pela fé e o seu coração vai sendo alimentado pela esperança em Jesus Cristo;
*      Cristão comprometido sabe aonde há-de alimentar a sua alma e o seu espírito, não se enchendo com lixo;
*      Cristão comprometido gosta de fazer a vontade de Deus, assim como os apaixonados gostam de fazer a vontade do outro;
*      Cristão comprometido respeita a diferença e as posições dos outros, pois sabe que a livre escolha é um princípio divino;

É através do nível compromisso que se distinguem os crentes.
Dentro de uma comunidade cristã, existem características comuns entre os membros:
- Frequentam o mesmo espaço;
- Normalmente, são membros;
- Sentam-se ao pé uns dos outros;
- Ouvem as mesmas pregações;
- Desejam ser abençoados;
- Desejam Segurança;
- Têm projectos comuns.

Mas nem todos têm o mesmo nível de compromisso:
·         Alguns não têm grande fé nos estudos bíblicos, nem acreditam que as escrituras devam ser encaradas como uma realidade;
·         Gostam de um cristianismo leve, que não mexa muito com o seu estilo de vida;
·         Gostam do lazer e de alguma atenção, e conseguem encontrar um pouco disso na Igreja;
·         Gostam de ajudar, desde que não entre em conflito com a sua agenda pessoal, que é prioritária;
·         Gostam de cultos evangelísticos, das celebrações, das festas ou dos passeios;
·         Gostam de ouvir falar do amor de Deus;
·         Gostam de ler na Palavra as promessas;
·         Acham que tudo tem de ter uma utilidade para si próprio, mesmo o evangelho;
·         Acham que as convicções são fonte de conflito;
·         Não gostam de se ser confrontados com a Palavra, quando mexe com o seu estilo de vida;
·         Não gostam de se humilhar diante da Palavra, nem se acham pecadores.


A diferença de compromisso entre os crentes não se manifesta à superfície, e por vezes nunca se chega a saber o grau de compromisso.

A vida cristã é uma vida prática, não é uma aplicação intelectual do que se acha que é bom e correcto. Não chega fazer uma listagem do que se considera ética e normalmente correcto e a seguir tentar viver segundo padrões estabelecidos.

COMPROMISSO INTEGRAL
Muitos simpatizam com Jesus salvador, anseiam profundamente as suas bênçãos, tais como ser perdoados, desejam a paz, gostam de ser consolados, gostam até de ser participantes das regalias, mas não querem o compromisso integral.
Não chega dizer, Jesus é Senhor, quando não se está disposto a aceitar a Sua soberania e a viver de acordo com os Seus princípios.


Fé e compromisso, andam sempre juntos. Sem fé não se pode ver a Deus e não havendo fé firme, os compromissos são rapidamente contornados ou abandonados.
A importância com que valorizamos a fé é directamente proporcional à importância com que valorizamos o compromisso com o evangelho.


Não se pode ser mordomo de alguém, quando não se tem um compromisso fiel com o proprietário.


Jesus disse:
"Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna."  (Mateus 5 : 37)